quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sequidão

Até quando vou usufruir dessa água que corre dentro de mim? Até quando ela trará a sensação de alívio que tanto anseio sentir? E se quando abrir meus olhos, eu me deparar com a sutil sequidão? Quando lembro das últimas gotas dessa água que rolou dentro em mim, não desfruto das melhores lembranças que se pode ter. Eu pude ver através dos meus olhos, em meio as lágrimas, a última flor cair naquela manhã de primavera, quando suas palavras não puderam me fazer resistir a triste sequidão do meu cansado coração. Não creio em somente palavras que ressoam aos meus ouvidos, as quais o vento com sua imensa braveza poderá levá-las o mais longe de mim, não falo pra você desta sequidão, como uma sequidão de estio, detalho pra você a minha sequidão, aquela que como uma semente em terra fértil brotou, esta brotaste dentro em mim sem ramos de águas, sem nascente, sem vestígios algum. Aqui ramos não florescem jamais, sementes não brotarão, nem mesmo se deveras for a mais longa chuvarada que insistir cair no sertão vasto do meu ser. 
Usares suas últimas sementes para lançardes como em pedras e colherdes exatamente o que plantou, não emudeças a mim quando sou eu quem possuem as marcas dos espinhos e não suas mãos. 
Do que colho somente eu desfruto e receio o triste fim da primavera tão linda que um dia vivi.


By. Naélcia Souza       

3 comentários:

  1. "sou eu quem possuem as marcas dos espinhos e não suas mãos." , gostei muito velho, muito mesmo! Parabéns *-*

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